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A RELEVÂNCIA DA ATIVIDADE EMPREENDEDORA PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DE UM PAÍS

Nathalia Rana Rosa Bernardo1, Edson Trajano Vieira2, Elvira Aparecida Simões de Araujo3
1,2,3 Universidade de Taubaté
nathalia.rana@gmail.com

Resumo

Este artigo tem por objetivo entender a relevância da atividade empreendedora para a promoção do desenvolvimento econômico de um país. Atualmente, o Brasil ocupa a décima terceira posição no ranking mundial de empreendedorismo, sendo considerado, por isso, um dos países mais empreendedores do mundo. Contudo, historicamente, o índice de empreendedorismo por oportunidade no país tem estado abaixo do por necessidade, o que tem contribuído para o elevado índice de mortalidade de empresas, uma vez que a criação de empresas por si só não leva ao desenvolvimento econômico, a não ser que esses negócios estejam focando oportunidades no mercado. O método de pesquisa empregado para a elaboração deste artigo fundamenta-se na pesquisa exploratória, e quanto ao delineamento, a pesquisa se classifica como bibliográfica e documental.

Palavras-chave: Empreendedorismo, Desenvolvimento Econômico, Brasil.

Abstract

This article aims to understand the importance of the entrepreneurial activity to promote the economic development of a country. Currently, Brazil holds the 13th position in the entrepreneurship global ranking, been considered one of the most entrepreneurial worldwide. But, historically, the enterprise rates as opportunity in the country have been below the rates as necessity, what has contributed to the high mortality rates of companies, once a creation of a company itself doesn’t lead to the economic development, unless these businesses are focusing on market opportunities. The research method employed for the preparation of this article is based on exploratory research, and on the design, research qualifies as literature and documents.

Keywords: Entrepreneurship, Economic Development, Brazil.

 

Introdução

O desenvolvimento tem sido pauta para muitas discussões, principalmente pela ideia de que deve ser medido, em função dos indicadores econômicos, os quais são capazes de afirmar, pelo acúmulo de riquezas, se um país é ou não desenvolvido. Entretanto, tem se tornado cada vez mais frequente a discussão em torno da inclusão de outras variáveis para a promoção do desenvolvimento.

Por desenvolvimento econômico pode-se entender a idéia da acumulação de riqueza, também como força motriz capaz de conduzir uma sociedade atrasada a uma sociedade avançada. Para Sen (2000), além da perspectiva dos ganhos econômicos e financeiros, o desenvolvimento deve incluir os ganhos relativos à melhora da qualidade de vida das pessoas. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD (2013), “a renda é importante, mas como um dos meios do desenvolvimento e não como seu fim”.

A prática empreendedora, por sua vez, tem sido cada vez mais vista, como uma fonte de geração de empregos, riqueza e desenvolvimento. No Brasil, nas últimas décadas, o termo empreendedorismo tem se popularizado. No entanto, segundo Dornelas (2005), o Brasil ingressa no século XXI, sem ter resolvido o grande desafio histórico de seu subdesenvolvimento, caracterizado, principalmente, pela imensa brecha que separa uma minoria de cidadãos educados e dotados de condições de vida privilegiadas, representando algo como 30% da população total, da grande maioria de deseducados e pobres. Dentre estes, 14% das famílias encontram-se em estado de miséria e 31% de grande pobreza, o que tem, de certa forma, contribuído para um número mais elevado de empreendedores por necessidade.

A taxa de empreendedorismo por oportunidade reflete o “lado positivo” da atividade empreendedora nos países. Por sua vez, a taxa de empreendedorismo por necessidade reflete muito mais a busca de alternativas que possibilitem aos indivíduos sua subsistência, e exatamente por este motivo é mais visualizado em países que ainda se encontram em estágio de desenvolvimento econômico e, principalmente, social. E, segundo Dornelas (2005), historicamente, o índice de empreendedorismo por oportunidade brasileiro tem estado abaixo do índice por necessidade.

Atualmente, o Brasil ocupa a décima terceira posição no ranking mundial de empreendedorismo, sendo considerado, por isso, um dos países mais empreendedores do mundo. São inúmeros os fatores que levam um indivíduo a empreender. Em geral, as pessoas buscam o empreendedorismo como uma alternativa ao desemprego, ou ao tempo ocioso que possuem depois que se aposentam, há também os que veem no empreendedorismo uma oportunidade de traçarem seus próprios caminhos, sem ter de dar satisfação a nenhum chefe ou patrão.

Muitos são aqueles que têm trocado a segurança de um emprego como funcionário de uma empresa privada ou uma promissora carreira no funcionalismo público para se aventurarem no mundo dos negócios através da abertura do próprio empreendimento.

O objetivo deste artigo é entender a relevância da atividade empreendedora para a promoção do desenvolvimento econômico de um país. O método de pesquisa empregado para a elaboração deste artigo fundamenta-se na pesquisa exploratória, e quanto ao delineamento, a pesquisa se classifica como bibliográfica e documental.

 

1 Desenvolvimento Econômico

Segundo Rosas e Cândido (2008, p. 62), “vive-se um período em que o conceito de desenvolvimento tem sido relacionado quase que exclusivamente ao fenômeno da dinamização do crescimento econômico”.

Para Furtado (1988), o conceito de desenvolvimento econômico centra-se na ideia da acumulação de riqueza e na expectativa que o futuro guarda em si a promessa de um maior bem-estar. O desenvolvimento é visto como a força motriz capaz de conduzir uma sociedade atrasada a uma sociedade avançada.

Smith (1996) afirma que o desenvolvimento de um determinado país só seria possível quando os agentes econômicos fossem capazes de satisfazer seus interesses individuais de forma espontânea. Para ele, o homem movido pelo desejo do lucro passaria a produzir mais e o excedente da produção passaria a ser um benefício para toda sociedade. Diante dessa premissa, ao procurar o seu próprio interesse, o indivíduo promoveria o interesse da sociedade mais do que se realmente procurasse promovê-lo.

Conforme Vieira (2009), o crescimento econômico significa o aumento da capacidade produtiva da economia e, portanto, da produção de bens e serviços de determinado país ou área econômica. Ainda de acordo com o autor, o desenvolvimento econômico é o crescimento econômico acompanhado pela melhora das condições de vida da população.

Lewis (1960) ressalta que o conceito de desenvolvimento econômico vai além da riqueza ou da maior disponibilidade de bens e serviços. Por isso, o tema desenvolvimento tem sido alvo de grande interesse no âmbito político e acadêmico, a fim de buscar metodologias que promovam o desenvolvimento econômico, juntamente ao tecnológico e social, de maneira a não comprometer as futuras gerações, o que se aproxima ao significado da palavra desenvolvimento.

Considerando esse contexto, Sen (2000) afirma que o desenvolvimento deve ser pensado além da ótica da acumulação de riqueza e aumento do Produto Interno Bruto – PIB, e está relacionado essencialmente com a melhora da qualidade de vida.

Para Sachs (2004), a ideia de desenvolvimento transborda a crença da multiplicação da riqueza. Assim como Sen, Sachs defende a idéia de que o crescimento é pertinente e necessário para gerar desenvolvimento, porém, não é de forma alguma suficiente para gerar qualidade de vida para todos os cidadãos de determinada localidade.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD (2013), ao definir desenvolvimento, inclui as pessoas como os principais atores desse processo. Diante disso, Veiga (2005) comenta que o desenvolvimento está relacionado à possibilidade das pessoas de viverem o tipo de vida que melhor lhes convém e, também, de terem as oportunidades que lhes permitam fazer suas próprias escolhas.

 

2 Empreendedorismo

Pode-se entender por empreendedorismo o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação de um projeto técnico, científico ou empresarial. Origina-se do termo empreendedor, aquele que cria, abre e geri um negócio. “Empreender tem a ver com fazer diferente, antecipar-se aos fatos, implementar ideias, buscar oportunidades e assumir riscos calculados. Mais do que isso está relacionado à busca da auto-realização” (DORNELAS, 2005 p. 13).

Conforme Drucker (2002), o termo empreendedorismo é utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor – aquele que cria algo novo, algo diferente, que muda ou transforma valores. Além disso, o espírito empreendedor, segundo Drucker (2002), é uma característica distinta, seja de um indivíduo, ou de uma instituição. Não é um traço de personalidade, mas sim um comportamento e suas bases são o conceito e a teoria, e não a intuição.

Embora o empreendedorismo seja um tema amplamente discutido nos dias atuais, seu conteúdo, ou seja, o que ele representa sempre esteve presente na história da humanidade. Dolabela (2008) afirma que o empreendedorismo não é um tema novo ou um modismo, muito pelo contrário, existe desde sempre, desde a primeira ação humana inovadora com o objetivo de melhorar as relações do homem com os outros e com a natureza.

Porém, somente a partir de meados do século passado é que o empreendedorismo passou a ter o significado atualmente conhecido e a ser considerado essencial para a geração de riquezas dentro de um país, principalmente, por promover o crescimento econômico, gerar empregos e renda, possibilitando melhores condições de vida para a sociedade em geral.

 

2.1 Empreendedorismo no Brasil

De acordo com Dornelas (2005), o movimento do empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma na década de 1990. Antes disso, praticamente não se falava em empreendedorismo e em criação de novas empresas porque, segundo o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (2013), os ambientes político e econômico do país não eram propícios, e o empreendedor dificilmente encontrava informações para auxiliá-lo na jornada empreendedora.

A pesquisa realizada pelo Global Entrepreneurship Monitor – GEM 2008 mostra que o Brasil ocupa a décima terceira posição no ranking mundial de empreendedorismo. Segundo o estudo, o índice que permite essa classificação é a Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial – TEA, que no Brasil, em 2008, foi de 12,02. Isso significa que de cada cem brasileiros 12, no ato da pesquisa, realizavam alguma atividade empreendedora.

A TEA apresentada pelo Brasil em 2008 ficou próxima das taxas obtidas por Uruguai (11,90) e Chile (13,08) e semelhante também às apresentadas por Índia (11,49) e México (13,09). Conforme o GEM, os países da América Latina e Caribe foram os mais empreendedores na pesquisa em 2008.

Ainda segundo o estudo, a Índia é o país com a maior população de indivíduos desempenhando alguma atividade empreendedora. Nesse aspecto, o Brasil ocupa o terceiro lugar, atrás apenas da Índia e dos Estados Unidos.

Vale ressaltar que essa posição refere-se à estimativa da população empreendedora que chega próxima dos 15 milhões de pessoas envolvidas com o desenvolvimento e o gerenciamento dos seus próprios negócios, o que coloca o país entre um dos mais empreendedores do mundo independentemente se por oportunidade ou por necessidade.

A pesquisa mostra ainda que para cada empreendedor na Islândia, país com a menor estimativa de empreendedores, existem 4.224 na Índia e 813 empreendedores no Brasil.

Isso reforça a ideia de que o Brasil é um país de alta capacidade empreendedora e mostra também, conforme a pesquisa, que os países em desenvolvimento, obviamente com exceção dos Estados Unidos, que já é um país desenvolvido, são os que apresentam os maiores índices de empreendedorismo, como apontado na tabela 1.

tabela1

“Mas, o que significa ficar em primeiro, sexto ou vigésimo lugar nesse ranking? A criação de empresas por si só não leva ao desenvolvimento econômico, a não ser que esses negócios estejam focando oportunidades no mercado”. (DORNELAS, 2005 p. 28).

A motivação para iniciar uma atividade empreendedora é um dos temas relevantes para a pesquisa GEM, principalmente para se conhecer melhor a natureza do empreendedorismo em países em desenvolvimento.

A taxa de empreendedorismo por oportunidade reflete o “lado positivo” da atividade empreendedora nos países. Essa porção de empreendedores é aquela que iniciou sua atividade para melhorar sua condição de vida ao observar uma oportunidade para empreender. Por sua vez, a taxa de empreendedorismo por necessidade reflete muito mais a busca de alternativas que possibilitem aos indivíduos sua subsistência, e exatamente por esse motivo é mais visualizado em países que ainda se encontram em estágio de desenvolvimento econômico e, principalmente, social.

Segundo o relatório GEM 2008, nesse quesito, a Colômbia ocupa a primeira posição, seguida por Bolívia e Peru. Conforme tabela 2, os países mais desenvolvidos não chegam a ter um habitante em cada cem que tenham iniciado alguma atividade empreendedora por necessidade.

tabela2

De acordo com a pesquisa, países mais desenvolvidos, como a Dinamarca, por exemplo, apresentam taxas baixas de empreendedorismo, mas este se caracteriza por ser fortemente por oportunidade, ou seja, existem aproximadamente 13 empresários por oportunidade para cada empreendedor por necessidade.

Segundo Dornelas (2005), historicamente, o índice de empreendedorismo por oportunidade brasileiro tem estado abaixo do índice por necessidade.

Em geral, com base no relatório GEM 2008, os países em desenvolvimento possuem renda per capita média ou baixa e elevada concentração de renda e, por isso a maior parte dos empreendedores busca no empreendedorismo uma alternativa de sobrevivência.

No Brasil, o setor produtivo foi, durante décadas, altamente protegido, criando, assim, uma cultura pouco inovadora no empreendedor brasileiro. Além disso, a fragilidade do sistema de apoio à inovação, da estrutura de apoio formal à elaboração, orientação e acompanhamento de projetos e da estrutura de financiamento às micro e pequenas empresas, cria até hoje grandes obstáculos à inovação e à geração de novos empreendimentos.

Dolabela (2000) afirma que, ao iniciar suas atividades sem conhecer as condições de mercado e as possibilidades de sucesso do negócio, o empreendedor é mais um imitador do que um inovador; e dessa forma tende a minar suas economias e sonhos em atividades pouco inovadoras e com raras possibilidades de sustentabilidade no mercado altamente competitivo como o que se observa nos dias de hoje.

Ainda conforme o relatório GEM 2008 os empreendedores brasileiros se caracterizam como não inovadores, dado que 84% só lançam produtos conhecidos no mercado, 65% têm muitos concorrentes, 98% utilizam tecnologias disponíveis há mais de um ano no mercado, 85% não possuem expectativa de exportar seus produtos, 45% abrem suas empresas para gerarem o próprio emprego, sem expectativa de gerarem novos empregos nos próximos cinco anos, 78,3% não esperam gerar mais do que cinco empregos, normalmente de familiares, e 60% desenvolvem atividades orientadas aos consumidores finais em atividades de prestação de serviços pessoais, de baixa qualificação, tais como: vendas ambulantes, serviços de reparos e manutenção do lar, jardinagem, vendas de cosméticos, entre outras.

Esse tipo de empreendedor é o que abre a grande maioria dos empreendimentos brasileiros. São atividades desenvolvidas como alternativa ao desemprego ou para a complementação da renda familiar.

Isso demonstra que empreendedores inovadores, que desenvolvem novas bases tecnológicas, sustentados por infraestrutura de Pesquisa e Desenvolvimento – P&D, gerados em incubadoras tecnológicas e criados por pesquisadores e empreendedores qualificados ainda estão muito longe de se tornarem a realidade brasileira.

Segundo o SEBRAE (2013), no Brasil existem 5,1 milhões de empresas. Desse total 98% são Micro e Pequenas Empresas – MPEs. Os pequenos negócios (formais e informais) representam 67% das ocupações e 20% do Produto Interno Bruto – PIB.

Segundo estudo do Observatório das MPEs do SEBRAE (2013), o país pode chegar ao ano de 2015 com cerca de nove milhões de micro e pequenas empresas para uma população estimada em torno de 210 milhões de habitantes. Mantido o atual ritmo de crescimento das MPEs, o SEBRAE projeta uma empresa para cada 24 habitantes.

No cenário para 2015, a projeção indica que mais da metade dos pequenos negócios, em todo o país esteja concentrada no comércio, com 59% do total de empreendimentos, seguido pelo setor de serviços (34%) e a indústria (11%) (SEBRAE, 2013).

Dornelas (2005) afirma que o que se procura nos dias atuais é estimular o fomento e a geração de novos empreendimentos e, mesmo que o indivíduo não possua seu próprio negócio, espera-se que aqueles que trabalham nas organizações tenham espírito empreendedor e ajam como se fossem seus próprios proprietários.

 

Considerações Finais

Observa-se que os países em desenvolvimento, como o Brasil, estão aprendendo a ver no empreendedorismo uma fonte de geração de riqueza e desenvolvimento econômico e social. No país, o assunto começa a se tornar conhecido e desperta a atenção dos estudiosos para um problema que vem crescendo e impactando o desenvolvimento – o elevado índice de falências.

As altas taxas de desemprego, entre outros fatores, têm feito com que muitas pessoas busquem o empreendedorismo como uma alternativa de subsistência. A problemática dessa situação é que a atividade empreendedora por si só não gera riquezas e desenvolvimento ao país. Muito pelo contrário, o empreendedorismo por necessidade é considerado o lado negativo da prática empreendedora.

Isso porque, em geral, os empreendedores por necessidade estão desprovidos de informações sobre o mercado e, nem sempre, têm experiência na área em que desejam atuar. Além disso, podem não dispor de recursos e de apoio financeiro, e não possuir formação e informações suficientes sobre a atividade empreendedora.

Outro fator complicador é que a ideia que gerará o negócio pode não representar uma oportunidade de mercado, diminuindo, assim, as chances de sucesso desse novo empreendimento.

No Brasil, tornar-se um empreendedor de sucesso não é uma tarefa tão fácil, principalmente porque o empreendedor além de superar os desafios do mercado, precisa transpor a excessiva carga tributária, a burocracia, a lentidão da justiça, a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada, etc.

Atualmente, existe uma preocupação bastante intensificada em relação ao empreendedorismo e ao que ele representa para a sociedade. Com isso mais estudos e pesquisas referentes ao tema são realizados, gerando metodologias e procedimentos que têm por objetivo auxiliar os novos empresários em especial, na iniciação e condução dos negócios de forma a possibilitar que a maior parte deles obtenha sucesso e contribua para o desenvolvimento do país.

De acordo com Dornelas (2005), as chances de sucesso diminuem à medida que o candidato a empreendedor tem uma ideia brilhante dirigida a um mercado que ele conhece muito pouco e em um ramo de atividade no qual nunca atuou profissionalmente.

Dornelas (2005) atenta para a necessidade de procurar iniciar negócios em áreas que sejam conhecidas pelo candidato a empreendedor, e que este já possua alguma experiência ou tenha sócios que já atuaram nesse ramo de atividade. O autor afirma que é um risco muito grande se aventurar em negócios cuja dinâmica do mercado o empreendedor desconheça, só porque simpatiza com o assunto ou porque é uma área na qual pode-se ganhar muito dinheiro.

Além de tudo isso, é preciso levar em conta que iniciar uma empresa e trabalhar para a duração e o crescimento dela requer muito esforço, tempo e dedicação. Por isso, o autor ainda alerta que, para ser realmente bem sucedido, o empreendedor deve, preferencialmente, atuar em algo de que realmente goste e com o qual se sinta satisfeito e motivado, para enfrentar melhor a inevitáveis dificuldades que surgirão.

Mesmo porque, sabe-se que o futuro é uma incógnita, as previsões existem, mas a única certeza a respeito dele é que será diferente do hoje. Há poucas décadas, por exemplo, era difícil prever que tantas mudanças acometeriam o modo de vida no planeta. Mas, as telecomunicações, as pesquisas médicas, entre outras, modificaram e continuam transformando as relações humanas. O que se pode esperar para daqui a vinte, trinta ou cinquenta anos?

Drucker (2002) afirma que o futuro é algo indeterminado, mas ainda assim pode ser moldado, e o único fator que pode efetivamente motivar essa ação é uma ideia, como por exemplo: de uma economia, tecnologia ou mercado diferentes, entre outros.

Conforme o autor, por esse motivo, o planejamento em longo prazo não serve apenas para a grande empresa. A pequena empresa pode, de fato, conseguir uma vantagem se tentar dar forma ao futuro hoje, mesmo porque, se fizer um bom trabalho, possivelmente não permanecerá pequena por muito tempo.

Vale ressaltar que toda empresa de grande porte e bem sucedida existente na atualidade foi um pequeno negócio baseado em uma ideia de como deveria ou poderia ser o futuro. Entretanto, essa ideia precisa ser empreendedora e capaz de produzir riquezas. Além disso, é preciso ter em mente que “fazer” o futuro acontecer requer trabalho e não genialidade simplesmente.

“A idéia empreendedora básica pode ser uma mera imitação de algo que funciona bem em outro país ou outro setor” (DRUCKER, 2002, p. 337). Como, por exemplo, quando Thomas Bata, sapateiro eslovaco, retornou dos Estados Unidos para a Europa após a Primeira Guerra Mundial, tinha em mente a idéia de que todas as pessoas na Eslováquia e nos Bálcãs poderiam usar sapatos assim como os americanos. Segundo Drucker (2002), conta-se que ele dizia que o camponês andava descalço não porque era muito pobre, mas porque não havia sapatos. O que era necessário para que sua visão de camponeses calçados tornasse realidade, era fornecer calçados baratos e padronizados, mas bem desenhados e duráveis, como os que existiam nos Estados Unidos. Fundamentado nessa analogia, Bata construiu, em poucos anos, a maior empresa de calçados da Europa.

Ainda de acordo com Drucker (2002), tentar adivinhar que produtos e processos o futuro exigirá é um exercício fútil, mas é possível decidir que ideia se quer ver como realidade no futuro e, a partir dela, construir uma empresa.

A International Business Machines – IBM é um exemplo disso. Segundo Drucker (2002), Thomas Watson, fundador e criador da IBM, não previu, absolutamente, o desenvolvimento da tecnologia. No entanto, tinha uma idéia do processamento de dados como um conceito unificador sobre o qual poderia iniciar um negócio. A empresa foi, durante um longo tempo, bastante pequena e confinada ao trabalho comum de manutenção de registros de horários. Mas estava pronta quando entrou a nova tecnologia, proveniente do trabalho de matemáticos e professores de lógica, que discutiam uma metodologia sistêmica de quantificação e medição universal, nos tempos de guerra, que realmente tornou possível o processamento de dados; a tecnologia do computador e fez da IBM uma das empresas mais conhecidas e respeitadas do mundo.

Conclui-se com isso que a atividade empreendedora é um dos pilares do desenvolvimento econômico e social de uma nação.

 

REFERÊNCIAS

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SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

SMITH, A. A Riqueza das Nações. São Paulo: Nova Cultura, 1996.

VEIGA, J. E. da. Desenvolvimento Sustentável: o desafio do século XXI. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Editora Garamond, 2005.

VIEIRA, E. T. Industrialização e Políticas de Desenvolvimento Regional: o Vale do Paraíba Paulista na segunda metade do século XX. São Paulo, 2009. Tese (Programa de Pós-Graduação em História Econômica) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo.

 


Revista Científica On-line Tecnologia – Gestão – Humanismo - ISSN: 2238-5819
Faculdade de Tecnologia de Guaratinguetá
Revista v.2, n.1 – novembro, 2013

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